As séries de canal pago são melhores que as de canal aberto. Isso é fato, e exemplos não faltam: Breaking Bad, Mad Men, Bates Motel,The Newsroom, Suits, Homeland, e por aí vai. Mas qual a razão para uma diferença brutal de qualidade entre TV aberta e TV a cabo?
Todo
seriador que se preze tem uma listinha das séries que assiste (se
você não tem corre e vai fazer uma). Na sua lista, selecione as 10
melhores séries, em critérios de qualidade e não afinidade. Por
exemplo, minha série preferida é Dexter, mas reconheço que não
está mais entre as 10 melhores
que assisto. Após selecionar as 10 melhores
da sua watchlist,
tenho certeza – quase – que 70% das que você escolheu são de
canal a cabo (AMC, HBO, Starz, Showtime, FX, USA...) ou são
britânicas, mas aí já é uma outra história.
Isso
se deve pelo fato de que a TV fechada dá mais liberdade para os
roteiristas desenvolverem suas tramas, seguindo o caminho que seja o
melhor para a série, e não para o canal. Teoricamente,
esses canais se preocupam mais com a qualidade do show.
O
que não quer dizer que a TV aberta não ligue para qualidade. Muito
pelo contrário. É claro que se uma emissora como CBS, NBC, FOX ou
ABC tiver em sua grade um programa de qualidade e que dê audiência,
os executivos do canal agradecem a todos os deuses já inventados
pela humanidade (foi o caso da ABC com Lost, de 2004 a 2010).
O
problema é quando audiência se torna mais importante do que
qualidade. O problema é quando um programa só é renovado por ter
audiência, e vai se estendendo até não poder mais, e o resultado é
uma Two
And a Half Men
da vida. Veja bem, nada contra a série, mas ela já perdeu dois dos
três principais do elenco original e a CBS manteve o show
no ar. Dos “dois homens e meio” ficamos apenas com “homem”.
Mas
também não podemos crucificar os canais abertos por isso. O que os
mantém no ar é o dinheiro que vem dos anunciantes, que só
patrocinam onde tem audiência, claro, e é óbvio que ninguém vai
querer pagar para aparecer em um programa que ninguém assiste.
Talvez
a culpa seja do público, afinal de contas. Não é segredo para
ninguém que o americano tem um mau gosto danado pra TV (enquanto
Hannibal não passa de 0.8 na demo, tem série que é fraquíssima e
marca no mínimo 5.0 por episódio), ou seja, se eles vissem
programas melhores, de maior qualidade, estes
não seriam cancelados e substituídos por aqueles
que apenas “dão audiência”.
O
fato é que, no momento, as emissoras de TV a cabo estão sim com os
melhores shows,
principalmente em drama, vide as indicações para premiações nos
últimos anos. O único drama de TV aberta que é lembrado quase
todos os anos é The Good Wife, o que já nos dá uma boa noção
dessa diferença ultimamente.
Mas,
independente de onde o programa seja exibido, o que realmente
importa, ou pelo menos deveria importar, é a qualidade. Simples
assim. Se o que todos esperam é o resultado final do produto, e esse
resultado é bom, pouco importa onde ele aparece. O Netflix está aí
apenas para confirmar essa teoria, com as ótimas House of Cards e
Orange is the New Black. A “emissora” é sim o futuro da TV, e a
tendência é que a cada ano consiga mais produções originais e de
muita qualidade.
Observações:
-
Para não parecer uma “perseguição” aos canais abertos, devo
dizer que a emissora que mais gosto entre todas é a NBC (culpa de Friends e Chuck), e concordo
que haja alguma coisa ou outra bacana na TV aberta: Hannibal, The
Good Wife, Elementary, Modern Family, New Girl, etc. Mas estas
não se comparam à qualidade daquelas
que citei na abertura do texto (Hannibal e The Good Wife sim, essas
duas são do mais alto nível de TV).
-
Logo abaixo deixo um vídeo com Kevin Spacey, astro de House of
Cards, falando um pouco sobre a nova forma que as pessoas estão
passando a assistir TV. Spacey aborda uma questão realmente
relevante para a indústria e de interesse de todos os apaixonados
por séries.
Por: Leonardo Galassio
Veja uma parte do discurso de Kevin Spacey:

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