O primeiro prêmio dado a uma atriz negra na
categoria melhor atriz em drama do Emmy foi sem dúvida o melhor momento da
noite. O discurso acalorado, consciente e crítico de Viola Davis procurou
chamar a atenção para algo que sempre esteve à frente de quaisquer olhos que se
propunha a ver, isto é, a falta de papeis destinados a atrizes negras.
E não pense que o prêmio lhe foi dado pela cor, pois,
a meu ver, Viola Davis ganharia esse prêmio mesmo se fosse verde e tivesse
vindo de marte, afinal ela é uma atriz de enorme qualidade e talento, atuando com maestria na primeira temporada de HTGAWM.
“Em minha mente eu vejo uma linha. E depois dessa
linha vejo campos verdes, lindas flores e belas mulheres brancas com seus
braços esticados para mim, mas eu não consigo chegar lá, não importa o que
faça. Eu não consigo ultrapassar essa linha. Deixe-me dizer algo: a única coisa
que separa uma mulher negra de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Você não
pode ganhar um Emmy se os papéis simplesmente não existem.”
A carreira de Viola Davis é premiadíssima e muitas
pessoas usam como muleta o fato de termos uma atriz tão bem premiada para atenuar
o fato de existir sim algum preconceito nesse e em outros ramos da sociedade. O
fato de termos três, quatro ou cinco protagonistas negras em trinta ou quarenta
séries é de se lamentar.
E você não precisa ir tão longe para isso, quantos
protagonistas negros temos na televisão brasileira? E não vem me falar somente
da Taís Araújo ou do Lazaro Ramos, quantos atores gays são protagonistas na
televisão, ou quantos personagens gays são protagonistas, quantos cargos de
confiança mulheres possuem nas empresas brasileiras (e não vem com o papo de
que elas dominam o setor de RH).
Falta ainda um olhar carinhoso das pessoas para
esses assuntos, falta um pouco mais de igualdade em nossa sociedade, mas falta
também uma analise interior de nossos atos e ações para que não usemos muletas
para mascarar esse grande problema.

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