SPOILERS ABAIXO
Chicago
Med tem um grave problema e não é uma doença: os roteiristas não sabem o que
querem da série. Eles querem um novo E.R, um novo Night Shift ou eles querem um
novo Greys com um pouquinho da sua ex coleguinha de canal? Eu sou do tipo de fã
que acompanha a opinião do público, até mesmo para ter uma ideia da vida da
série e dos seus personagens no futuro. Eu preciso dizer, o pessoal ama Chicago
Med, acha que tudo está perfeito, os personagens estão fantásticos e os casais maravilhosos, eu concordo? Não, continuo achando que a série está patinando na sorte, tem
muito personagem com pouco desenvolvimento, tem muito ator que nem sabe o que
tá fazendo ali (Alo, Alo Choi!), muito casal sendo explorado, quando nem sei
quem é o personagem. Não dou a mínima para um casal quando não
sei quem aquela pessoa é ou quando não existe química entre eles, isso são
apenas pequenos erros que a longo prazo se tornam nós e obstáculos para o
desenvolvimento da série. Numa explicação crua: uma série boa é quando tem
poucos personagens (nada além de sete personagens base), não existe necessidade
de uma temporada com mais de 13 episódios, as melhores séries da atualidade tem
essa quantidade de episódios (Daredevil, Jessica Jones, Orange is
The New Black, House of Cards, Penny Dreadful) e é claro, um elenco homogêneo. Dito
isso, vamos nos centrar nesse episódio que, não muito diferente do anterior
abrangeu quatro distintos arcos, envolvendo boa parte dos seus personagens, o que
é sim um ponto positivo e estava mais do que na hora de isso acontecer.
Vamos começar com o arco principal do
episódio, um casal dá entrada na emergência após terem sido atropelados, o rapaz está muito preocupado com a sua parceira, mas a sua falta de conhecimento
sobre ela deixa os médicos sem saber como prosseguir com o atendimento e é
quando o rapaz revela que eles estavam em seu primeiro encontro, por outro
lado, também chega um novo paciente, o homem que causou o acidente, um ex
presidiário que havia roubado um carro e causou todo o incidente.
Cada caso trata de uma tocante oposta e não é novidade alguma no Universo de Chicago Med, o que torna diferente são as reações dos personagens. O garoto foi tratado por Rhodes e a doutora Zannetti (ainda acho Danette mais adorável), nesse ponto da história era para Rhodes ter outro arco a não ser o de ser o coleguinha que não concorda com os outros coleguinhas, pois tem uma visão diferente e toda essa relação com a Danette (não resisti! Danette de baunilha só para intensificar como ela é desnecessária) parece fora de tom para mim, não tem química, não tem conversa, não tem motivações ali, parece tudo muito robótico, até mesmo as suas brigas, não foi algo que fluiu com naturalmente.
O ex presidiário foi tratado por quem, o queridinho de Chicago Med (só que não) Dr. Halstead, quando eu vi que Will ia ficar com esse caso pensei em duas possibilidades: a) treta ou b)treta com crescimento do personagem, foi um pouquinho do último, Will cuida do homem, sem preconceitos e olha só, até caridoso, ele faz alguns exames, descobrindo que o homem tem câncer – e descobre que ele tinha conhecimento de tal coisa! Todo aquele acidente foi planejado por ele, pois o presidiário após ser solto, não conseguiu se estabelecer, descobriu sua doença e ficou sem saída quanto ao tratamento. Ele só queria ser preso novamente.
Com isso, Jay dá um pulinho em Chicago Med para dar um auxílio ao irmão de como proceder àquilo, um arco um tanto confuso, mas tem lá sua utilidade na série.
Will que é tão preconceituoso foi colocado numa posição de mudança de postura, gostei desse crescimento no personagem, mesmo crendo que ninguém muda de opinião tão rapidamente, é algo crescente. Mas o que está feito, está feito e agora é os roteiristas lembrarem disso futuramente e não esquecer, e tornar o personagem incoerente consigo mesmo.
Nos arcos secundários tivemos duas histórias, que para mim, foram os mais interessantes do episódio: uma garota que está há dez anos sendo tratada no Chicago Med, por conta de um câncer receberá um transplante de medula óssea que mudará sua vida e o caso de Bobby.
O primeiro caso foi cuidado por Sharon e administração do hospital. Até então o
transplante está certo de ocorrer, mas foi só a medula chegar no hospital que
tudo desandou, um dos administradores informou a Sharon que o transplante não
poderia ocorrer por conta do irmãozinho da garota estar fazendo uma arrecadação
de fundos para agradecer o doador com uma viagem para a sua família, o que para
alguns, isso pode ser interpretado como um pagamento. Isso poderia ser visto
com maus olhos pelo público e para evitar um processo, Sharon é colocada na
posição de cancelar tal procedimento, entretanto ela luta para conseguir dar a
garota o seu sopro de vida. Para mim, esse foi um dos melhores arcos da série,
até então, mostra como os transplantes funcionam nos Estados Unidos e as leis
funcionam e o papel dos administradores do hospital quando uma bomba dessa é
colocada em suas mãos e ela precisa impedir que ela imploda nas suas mãos.
E o caso de Bobby trata de algo particularmente comum que tem lá sua camada
surpreendente. April tem cuidado de Bobby nos últimos meses por pequenos
problemas por conta de seu coração caridoso, ele tem o costume de ‘doar’ suas
posses para as pessoas, o que acaba em algumas situações lhe causando pequenas
injurias. Para April, a sua postura é linda digna de um Santo (comparação com o
título do episódio? Imagina!) e ela não vê nenhum problema a fundo nisso,
apenas fica preocupada com sua saúde, então, Charles entra no caso com tudo, por
estar considerando as ações dele um tanto estranhas, já que as suas ações lhe
causam, quase sempre, feridas. April bate o pé, crendo que Bobby é um homem com
boas intenções, Charles descobre, infelizmente ser algo muito distante de uma
boa ação feita pelo seu coração.
Dr. Charles descobre que Bobby sofreu um derrame a alguns anos o que lhe deixou
patologicamente generoso, por conta das lesões cerebrais. Tal solução do arco coloca April numa posição cética, onde ela se questiona se
na história do mundo, os conhecidos santos, existiram ou se todos eles foram
condicionados com algum mal cerebral? A resposta de Charles dá expõe a alma da
série nos minutos finais do episódio. Belíssima união de cenas com Charles
dando uma lição de vida a April.
E não menos importante, tivemos algumas cenas (bem desnecessárias) de Nat
curtindo seu bebê Owen e sua sogra a tira colo da nora. Tá, esse arco não foi
tão desnecessário, pois mostra que talvez, num futuro distante, Nat irá embora
de Chicago, pois ela não tem nada lhe prendendo ali, além de sua residência e
irá para Seattle (Alo, alo Meredith Grey!). A sogrinha dos capetas claramente
desgosta disso, pois ela está sozinha no mundo e esperava ter um pedacinho de
família com a chegada de Owen, lamentando tal destino, depois de descobrir as intenções de Nat, ela
muda de postura com Will, mostrando uma maior abertura a sua presença, mesmo
que ainda distante. Honestamente? Achei escrotinho da parte dela, mesmo que a
maioria tenha considerado ‘tocante’ e tenha ficado com pena da senhora, por favor,
gente! Vamos acordar? Ela pode estar sozinha, mas o que prende ela a Chicago
também? E mesmo que Seattle seja do outro lado do país, vivemos num mundo
tecnológico onde a distância é quebrada a poucos cliques e ela não é uma
senhora pobre, pode muito bem visitar Nat ocasionalmente e por quê não, se
mudar para Seattle? E sua mudança com Will, para mim, foi uma postura falsa, ela acha que se Nat se apaixonar, isso vai fazê-la ficar? Achei mal editado,
mal desenvolvido, apenas um mal completamente desnecessário,e de novo, outro
desenvolvimento de arco sem necessidade ou que poderia ter sido feito de forma
mais sutil ao longo da temporada. Ah, e marquem minhas palavras, meus queridos:
Já to vendo essa senhora pirando na maionese Hellman’s e pedindo a guarda total
de Owen, por motivo claro da Nat estar ‘sempre’ ocupada no trabalho, Owen
ficando sem cuidados maternos, ficando doente por algum motivo, e a pouca
atenção ao filho pode ser considerada descaso e aí vai chegar a Vovó Maravilha.
GUARDEM MINHAS PALAVRAS! Vai dar treta!
Foi um episódio bom, mas estou ficando cansada de episódios ‘bons’ quando
Chicago pode nos dar muito mais; A série foi renovada nessa última semana e eu
não comemorei, pois a série não está merecendo ganhar tal presente, está na
hora dos personagens serem melhores apresentados e lapidados, tem personagem
demais para pouco desenvolvimento, a equipe de edição está trabalhando
porcamente (Cadê o irmão da April? Cadê o Joey? Cadê arco para o Choi? Cadê eu
dando a mínima para a Zanetti/Rhodes e Nat/Will, o casal mais chuchu sem sal da série?), arcos com maior
desenvolvimento, até mesmo em longo prazo, como também os casais principais
precisam urgentemente de uma lapidação em seus desenvolvimentos e um maior
desenvolvimento por parte dos atores ou como no caso de Danette e Rhodes,
talvez terminar seja a melhor solução.
Esse texto foi escrito por: Bárbara Herdy
FACEBOOK: /SeriesEmFocoWeb
TWITTER: @SeriesEmFocoWeb
INSTAGRAM: @SeriesEmFocoWeb





0 Comentário(s)