Tenho certeza que você
conhece The Rocky Horror Picture Show (1975), seja por tê-lo visto, por
esbarrar com referências aos personagens em homenagens inseridas em outras
obras, por ter lido seu nome em uma daquelas listas de “filmes que você precisa
ver antes de morrer”, ou ainda por se pegar cantarolando aquela música que fixa
em sua mente por dias provinda de um lugar inespecífico, uma vez que a trilha
da obra de Richard O'Brien é marcante e sublime. O grande trunfo, apesar da
espalhafatosa fotografia e o bizarro roteiro, é Frank-N-Further, mas voltemos ao
magnífico travesti transexual da Transilvânia mais tarde.
The Rocky Horror Picture
Show é uma comédia musical de horror, definição que já diz muito sobre o que
esperar dela. No entanto, se o leitor, assim como eu, não tem o apreço
necessário para encarar duas horas de cantorias roteirizadas, não se preocupe, tem
algo de especial nesse caso. Evitei musicais, com preconceito infundado,
confesso, por anos, até o momento em que decidir entregar-me ao “prazer
absoluto” que a obra oferece, como o pôster de divulgação bem sugere (do
original “give yourself over to absolute pleasure”). Há algo de estranho e
bizarro que implanta uma vontade constante de revisitar essa sátira às ficções
científicas recheada de referência a conceitos como Frankenstein, Drácula, O
Dia em que a Terra Parou e o até então desconhecido para mim Flash Gordon.
O plot não é nada simples.
Brad e Janet, embalados pelo sentimento amoroso que os leva a uma proposta de
casamento, decidem visitar um antigo amigo cientista propulsor da relação, pois
foi através dele que se conheceram. No caminho, devido a adversidades causadas
pelo mal tempo, precisam pedir abrigo em um estranho castelo convenientemente
posicionado a uma curta distância da estrada. O que encontram lá dentro, e o
desenrolar da história, seria desleal de minha parte revelar, pois a estima
pelo filme nasceu em mim partindo do princípio da exploração de algo novo, completamente diferente do que o cinema já havia me proporcionado nos longos
anos e que sou nele figura assídua.
Performando em cena estão Dr.
Frank-N-Further (Tim Curry), uma referência direta ao Dr. que deu vida à
criatura composta por partes de diferentes corpos mais famosa da história, Janet
(Susan Sarandon), que explora novos aspectos de sua sexualidade repreendida
pelo compromisso com Brad (Barry Bostwick), e os fiéis servidores de Frank,
Riff Raff (Richard O’Brien), Magenta (Patricia Quinn) e Columbia (Neil
Campbell). A introdução das canções é sutil e se mescla à história, ao passo
que exageros coreografados e agudos poderosos hipnotizam a audiência. Tim é um
deleite aos olhos e ouvidos, sustentando o interesse com os secundários e
terciários personagens tão excêntricos quanto ele.
Para justificar a visita ao
filme, a atemporalidade de Rocky Horror é comprovada pela exibição em sessões
especiais quatro décadas após o lançamento em países como EUA e Inglaterra,
além da continuidade da obra em peças teatrais, de onde originalmente emergiu,
somada ainda às incontáveis referências e homenagens que recebe (toda Comic Con
tem seu Tim Curry). Mais do que um filme obrigatório para cinéfilos curiosos, a
fascinante jornada de Frank-N-Further se tornará sua queridinha, mesmo se a
primeira expressão estampada em seu rosto quando os créditos do filme subirem for
uma grande interrogação. Singular e atraente, The Rocky Horror Picture Show é
definitivamente um filme para de se ver antes de morrer (mais de uma vez).
Para aguçar a vontade de
largar tudo e ver, como acontece comigo toda vez que menciono Rocky Horror,
apreciem a magnífica cena de abertura:
Esse texto foi escrito por: Jaqueline Buss



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