Esse belo documentário que está
disponível na Netflix (já ajuda bastante, né?) é uma representação de um
movimento essencial que tem seus primórdios no século 20, na Inglaterra. Mas
aqui, o feminismo é enquadrado em seu auge, nas décadas de 60 e 70, nos EUA.
Enfocando as premissas básicas: a liberdade da mulher (seja mental ou física) e
a igualdade de gênero em uma sociedade completamente machista, a produção
demonstra a crescente de uma organização revolucionária liderada por mulheres
questionadoras e exaustas de tanto abuso psicológico e físico exercido desde
seus antros familiares quando pequenas, bem como quando, enfim, crescem e se
comprometem com maridos e filhos.
O doc. é bastante extenso em suas análises.
Percebe-se logo de início a segregação que ocorre dentro do movimento – algo
que ainda prevalece nos dias de hoje –, “negras x brancas”; “lésbicas x heterossexuais”,
por exemplo. Nessa tentativa incessante de construir uma revolução política
contra o governo – bem como contra os homens que o controlam, e, com
freqüência, contra os próprios pais, irmãos e maridos – muitas vezes, as peças
internas também se atritavam seriamente, o que é recorrente quando há
aglomeração de mentes humanas em prol de uma só causa, pois sempre irão surgir
meios distintos para se alcançar determinado fim.
A
liberdade sexual feminina também se encontra como ponto principal – até hoje,
afinal. A verdade é que, quando se vivenciava gravidezes indesejadas em 1960, o
que fazer além de ter um filho e exercer o tal instinto materno que tanto
pregam que todas as mulheres possuem?
Como se demonstra, a busca pelo aborto ilegal – pois naquele momento ainda não
era legalizado no país em questão– era constante e, mulheres ajudaram mulheres
a se ajudarem, repetidamente. “A união faz a força”, diz o apelo popular. Infelizmente,
em um Brasil
cercado por religiosos fundamentalistas nas bancadas políticas em pleno séc. XXI,
as mulheres ainda sofrem para serem tratadas com o devido respeito.
A
compilação de imagens absurdamente polêmicas e essenciais para o feminismo
permitiu a diretora, Mary Dore, estancar as divergências do mesmo, demonstrando
a sua construção naquele momento da história, onde a luta é/era diária e
dolorosa. Percebe-se, logo, que o principal instrumento de embate é a concepção
que se um de nós não tem os mesmos direitos, nenhum de nós tem direitos, enfim.
Mas, é evidente como há um receio tremendo dos homens em se fazerem entender da
essencialidade deste fato. Inúmeras vezes mostra-se, em tela, a resistência que
muitos apresentam às mulheres ao seu redor e, ajudam, proporcionalmente na imposição
do sexismo/machismo com palavras e atitudes. Também é bem claro que outras
mulheres, por medo ou falta de esclarecimento e desconstrução mental/social,
acabam reproduzindo o machismo por medo da não aceitação ou até mesmo da rejeição
que se prega quando uma mulher se impõe e não se submete a nada se não for de
sua própria vontade.
Esse
documentário cru e realista te faz emergir em uma história que ainda está sendo
contada, dia a dia, nas ruas, nos trabalhos, nas casas de cada família
espalhada pelo mundo. A luta pela equidade de gêneros é arcaica e se percebe
cada vez mais latente no coração de cada mulher que não suporta a maneira
injusta de como são vistas, objetificadas e subestimadas. Nestes 92 minutos,
com destreza, podemos entender um pouco do que se trata todo esse movimento que
se desdobra tanto na atualidade, e, também, a questioná-lo para chegar a conclusões
próprias sobre a grandeza de sua importância.
Esse texto foi escrito por: Ana Carolina Teles


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