Uma ótima season finale, estabelecendo perfeitamente o tom
da série e o que podemos esperar para a segunda temporada.
Durante os nove episódios anteriores, muitos fãs das HQs de
Preacher reclamavam que a série não estava captando exatamente a essência da
história em si e com “Call and Response” deu para entender direitinho essa
reclamação. Vimos nessa season finale um Preacher muito mais ousado,
questionando ainda mais a religião e Deus em si. O assunto religião na série
começou com os questionamentos particulares de Jesse, em qual seria sua missão
de vida e como ser o bom mocinho, passamos para Tulip que vivia expondo seus
pensamentos sobre todo o trabalho de Jesse com a igreja e depois vimos a visão
de Odin sobre Deus.
Dessa forma a série deu uma pausa em introduzir todo a
mitologia por trás do enredo, explicando aos poucos o lance dos anjos,
serafins, telefone do céu, inferno, para nos mostrar melhor a relação dele com
o divino. Mesmo sendo bem arriscado, causando até uma sensação de ritmo lento,
acredito que essa escolha foi importante para entendermos toda a motivação de
Jesse em encontrar Deus, algo que veremos com mais vigor na segunda temporada.
A sequência dos eventos nesse episódio foi essencial para
captarmos a sensação de parceria dos três no final. Primeiro vimos Tulip
voltando a cidade, enfrentando seu problema com Carlos com ajuda de Jesse, Cassidy
mantendo sua lealdade e não revelando muita coisa para o Xerife e por fim o
Pastor resolvendo seu assunto com a igreja e comunidade, podendo assim começar
sua missão em encontrar Deus. Juntando tudo isso temos o trio em harmonia para
uma nova aventura. Entretanto, já deu para sentir uma dorzinha com Cassidy vendo
o beijo entre Tulip e Jesse. Não estou afim de drama com triângulo amoroso não,
muito sofrimento.
O mais interessante e discutível desse episódio foi a forma
que a cidade de Annville lidou com a descoberta que Deus está desaparecido, fazendo assim a população rever seus valores, suas crenças e atitudes. Esse
momento daria para ser bem melhor trabalhado, mas deu para entender a intenção
com cenas como a eutanásia da Tracy, as menininhas do ônibus escolar fazendo
justiça com as próprias mãos... dava para ter sido mais enfático nas
consequências após a descrença em um Deus numa comunidade tão religiosa e
conservadora.
Com o fim de Annville também tivemos que nos despedir de
Emily. Essa era uma personagem que eu passei a gostar com o decorrer dos
episódios, ela ia demonstrando melhor sua personalidade e rendia cenas hilárias
com Tulip. Sentirei falta. Esse evento foi um ponto importantíssimo da série,
de agora em diante a maioria dos personagens que conhecemos não existem mais,
dando um espaço maior para introduzir novos e quem sabe mais interessantes.
Preciso dizer que vou sentir falta dessa cidade bizarra.
Por fim vou ressaltar os dois pontos altos dessa season
finale. Primeiro: toda aquela cena de “Deus” na igreja, eu chorei de rir com os
comentários da Tulip e fui a primeira a desconfiar que algo estava errado.
Adorei a forma que essa cena contribui imensamente a estabelecer o tom da série
e introduzir o plot principal. Segundo: o Santo dos Assassinos aparecendo no
final falando “Preacher”. Amei. A partir desse momento deu para sentir que a
caçada vai começar, mas senti falta do DeBlanc. Por que será que apareceu só o
Fiore?
Resumindo tudo, adorei a season finale e acredito que serviu
exatamente ao propósito que eu estava pedindo. De uma forma ou de outra, esse
episódio salvou a série e me deu uma vontadezinha de acompanhar a aventura de
Jesse, Tulip e Cassidy e participar de toda essa louca entre céu, terra e
inferno.
E você, o que achou? Deixe seu comentário.



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