Este quinto episódio foi um misto
de confusão com frustração, desconfianças e algumas surpresas. Durante os
quatro primeiros episódios fiquei me perguntando quanto tempo demoraria para
que Michael começasse a perceber a nítida mudança no comportamento de Jean, e
aqui, no quinto, toda sua desconfiança ficou evidente. As emergências e
compromissos noturnos, a senha no telefone e o cigarro, foram alguns fatores
que o deixaram com a pulga atrás da orelha neste episódio, e o pior de tudo é
ver que, pelo menos até o momento, ele é realmente aquele cara legal que não
faria nada para prejudicar o casamento, como até já falou para ela.
Ao meu ver, Jean está ficando descontrolada,
e o gatilho neste episódio foi justamente quando Sam falou que houve uma
recaída entre ele e Sidney. Se prestamos muita atenção, as feições da
personagem mudam completamente quando ele está falando isso para ela e
conseguimos ver todo o “controle” se esvaindo dela ali, naquele momento. E é aí
quando já não conseguimos distinguir ao certo se os conselhos são para o bem do
paciente ou para o seu próprio.
Quando falo do descontrole de
Jean, não me refiro só à situação com Sam. A personagem está sempre em uma fina
linha entre a verdade e todas as mentiras que inventou até aqui, e por vezes a
vemos quase deslizando em algumas. Acredito que esse descontrole também está
sendo perceptível nas reuniões com os outros terapeutas e que, principalmente o
seu supervisor (creio eu que ele esteja supervisionando os outros) está notando
isso sutilmente a cada reunião, até porque ela insiste em deixar claro que os
modos “tradicionais” não vem sendo suficientes para ela no tratamento dos
pacientes.
Só eu me pergunto o que irá
acontecer com Jean quando descobrirem todas essas mentiras, todos os limites
que, claramente, ela vem ultrapassando. E é claro que o efeito será negativo
para todos os lados, uma vez que, além da situação com os pacientes, tem também
sua questão conjugal em casa. Para mim, Jean está arriscando tudo o que ela tem
de concreto até o momento, sua família, seu casamento, seu trabalho, e
sinceramente, tenho dificuldades em acreditar que seja apenas por uma questão
de tédio ou insatisfação. Acho que o problema é maior do que nós realmente
pensamos e que é algo mais profundo, mais antigo, que envolve aquele problema
com sua mãe, a situação com uma antiga paciente, o tempo em que ficou separada
de Michael, nuances que nos estão sendo apresentadas aos poucos, mas que ainda
precisam ser melhor desenvolvidas para que entendamos com mais clareza a
personagem.
Por fim, toda a pressão da
consulta com Sam e as discussões com Sidney a levaram a fazer algo que, eu
sinceramente acreditei que ela não faria. Nas minhas reviews anteriores citei
que Jean estava sempre fazendo joguinhos, principalmente com Sidney, mas que
não levava adiante, quando a coisa parecia que ia sair dos trilhos, ela puxava
de volta e “se saía”, por assim dizer. Mas, desta vez, ela não só não puxou de
volta, como foi a que jogou o trem, literalmente, para fora dos trilhos. O
beijo finalmente saiu e eu fiquei atônita porque achei de verdade que não
sairia. E ele coloca Jean em outro nível, o da traição, e imediatamente já
conseguimos perceber que a culpa ao chegar em casa e encontrar seu marido
disposto a se reencontrar com ela, já começou a afeta-la.
Só digo uma coisa amigos: o negócio vai pegar fogo e só nos resta continuar na ansiedade para desvendar ainda mais essa história e descobrir as consequências que virão, então lets go para o sexto episódio e até breve!
Ps. Jean está cada vez mais se inserindo na vida de Rebecca e toda aquela cena do jantar e da "sinceridade pura" me pareceu meio hipócrita, de todos os lados. Pelo que eu entendi, eles defendem ser sinceros, mas só ali dentro? Porque Jean tem mais mentiras do que verdades em sua situação atual, Rebecca está em todo esse conflito com a mãe e outros ali também disseram mentir para alguns de seus familiares. Não era para ser verdadeiro? Um ponto que foi interessante foi que serviu para que Jean admitisse que está vivendo duas vidas e não sabe qual delas é a "real", a que lhe representa.


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