Estamos a mil por hora no dia de gravação do piloto, todas as garotas, especialmente
Ruth estão concentradas em fazer tudo funcionar perfeitamente, mas têm um
pequeno problema: Sam chega três dias depois, cheirando à bebida e com uma
novidade sobre Justine. Como se não bastasse tudo, Debbie também têm suas
novidades, mas elas não são nada boas para o show.
Ao
chegar finalmente para a gravação, o nervosismo toma conta de todas. É um lugar
grande, têm câmeras pra todo lado e como vão lotar tudo aquilo? Sem contar a malfadada
deixa de Debbie que mexe com toda a escalação, acalmem-se meninas e meninos,
nossa Zoya têm tudo nas mãos: desde a prancheta até o incentivo necessário para
prosseguir. Por falar em nervosismo e momentos que te deixam sem graça, Sam tem
mais um deles para representar: ele precisa fazer as pazes e dizer algumas
verdades para Justine. Ponto para esse conturbado, engraçado e profundamente belo
momento da série, que frutifica e traz de volta alguém importante para o show.
Obrigada Sam!
A
luta começa, não no ringue, mas contra o público. Calma, o problema é
justamente a ausência dele e nossas garotas partem para a briga. “De Volta para
o futuro” não tem a mínima chance contra garotas determinadas! É claro que a
grana chama a atenção, é um mundo capitalista gente! Vamos lá!
Bash
começa a desempenhar o papel que acredita ter nascido para desempenhar: apresentar
a primeira luta da noite que é entre Brittanica vs Beirute e podemos perceber
que o ódio gratuito à determinada etnia não é um assunto recente
(infelizmente); Vikky Viking e Cherry estão arrasando, mas uma notícia tira o
foco da luta do juiz e esposo da durona Cherry; Melrose Vs Sheila “The Shewolf”
(a loba, em inglês) está consolidando a entrega da plateia ao show. Na próxima
luta nossa Carmen, também conhecida como Machu Pichu, terá de lutar contra mais
do que A Rainha do Bem-Estar, ela deve enfrentar a si mesma e o pavor da
multidão, seguindo o conselho de Ruth e graças ao apoio de uma pessoa
importante vemos uma verdadeira cena de Rocky Balboa no quesito superação.
Vamos
ao final do episódio com o arranjo de Ruth nas lutas: Zoya, a Destruidora e
Biscoito da Sorte vão lutar arduamente contra Edna e Ethel, As Velhinhas da
Briga. Hollywood nos ensinou algo ao longo dos anos: nenhum vilão se iguala aos
russos, eles só competem contra os nazistas e vamos lá, Zoya e Biscoito da
Sorte estão quebrando todas as regras como boas vilãs que são, e é quebrando as
regras que saem vencedoras, mas quem disse que essa é nossa luta da season
finale? Só existe espaço para UMA vilã neste ringue e Zoya usa todo seu jogo
russo, melhor dizendo, sujo para tirar biscoito da sorte da parada.
Atenção
“ladies and gentlemans... It’s time! (Bruce Buffer baixou aqui), Zoya tem tudo
em suas mãos, começa a provocar a plateia e aqui chegamos ao ponto alto deste
episódio: finalmente uma defensora do mundo livre e seu representante máximo
(EUA, é claro) aparece para dar uma lição no comunismo. Uma dona de casa, mãe e
lutadora em prol da liberdade e do orgulho americano, Libberty Belle, mais
conhecida como Debbie vai lutar e botar para quebrar com tudo, apesar de que
mesmo vitoriosa, pode não levar a coroa.
Mesmo
à primeira vista parecer um mero clichê fraco, a luta final de GLOW deixa claro
uma série de coisas: mulheres têm que lutar muito para conseguir o seu
protagonismo, um erro pode colocar em cheque uma amizade verdadeira, laços
parentais podem ser estreitados não importa o tempo, minorias são destaques em
um mundo cruel que te machuca de verdade (tanto que você precisa usar band-aid
na testa) e a liberdade é algo lindo de se ver alcançado nas telas. O que eu, o
marido da Debbie e muita gente achou ser um show bobo de mulheres com
movimentos ensaiados é na verdade um show de atuações, crises existenciais,
feminismo e glória. Finalizo com um desejo: Netflix libera logo as próximas
temporadas!



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