Como uma pessoa que declaradamente gosta de violência, eu
estava há “anos luz” em abstinência de uma série nos moldes de Sons of Anarchy.
A temática de gangues, adrenalina, sangue (muito), morte e surpresas é algo
relativamente difícil de achar. Até que nas “dicas de série” da vida, encontrei
alguém recomendando efusivamente Peaky Blinders. Primeiramente a trilha sonora é um capítulo à parte que
já ganhou uma “playlist” eterna, e se você é obcecado em ver um bom drama ou
sangue ao som de música boa (culpada), vai virar fã rapidamente.
Devo confessar que eu já sabia de cara que a série tinha
tudo para ser um baita sucesso. Produção da BBC 2, encabeçada pelo maravilhoso Cillian Murphy e Helen McCrory, a primeira coisa que eu me perguntei
depois dos primeiros dez minutos é: “como diabos eu nunca tinha ouvido falar
dessa série?”. Tenho uma dívida eterna com Cillian, desde que ele interpretou
o Espantalho na trilogia do Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, por isso
sempre acompanhei o trabalho do ator. Mas chega de falar dos prés e vamos aos
fatos!
A série tem como
pano de fundo a cidade de Birmingham nos anos 1920, onde os Peaky Blinders
tentam tornar seu negócio de apostas em cavalos, até então ilegal, num
empreendimento responsável e dentro da lei. Mas, como todo brasileiro que se
preze, sabemos que isto é uma “missão impossível”. Trabalhando fora da lei, Tommy,
Polly, Arthur, John, Ada e posteriormente Finn e Michael usam todos os
artifícios e manobras possíveis (chantagem, assassinato, extorsão) para tornar
sua família, até então renegada por sua origem cigana, em pessoas poderosas,
influentes, ricas e respeitáveis. Os riscos? Todos que você imaginar.
Um dos pontos
que mais me chamou atenção é a “crueza” da série em mostrar que sim, se você se
envolve no crime, vai pagar um preço. Um grande amor? Alguém da família? Pode
apostar que vai pagar. A escolha do elenco foi uma das coisas mais maravilhosas
que já vi na vida. Só um Cillian Murphy para segurar os momentos de tensão,
suspense ou as memórias de guerra horripilantemente embaladas por muita música
boa, bebida e ópio. Só uma Helen McCrory para segurar uma mulher forte, que
aguentou tudo e todos em nome do amor à família. Como eu disse, a série é muito
crua em mostrar que nem todo dinheiro do mundo paga o preço do sucesso.
A série vai para
a quinta temporada, mas somente em 2019 e está disponível na Netflix. Se eu
fosse destacar alguns pontos negativos: como só tem seis episódios por temporada?
Porque raios o Tom Hardy não participa de todos os episódios? A interpretação
de Alfie Solomons é um dos maiores presentes que Hardy já deu. E obrigada por
Grace (especialmente) e Chester. Não há final feliz que compense a justiça e
mesmo “torta”, ela chega para todos.


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