Halloween – A Noite do Terror
Pegue uma quantia insignificante para os padrões de Hollywood, um
elenco jovem que teve de trabalhar no filme com as próprias roupas, devido ao
baixo orçamento, um roteiro com um furo honestamente “ridículo” e monte um
filme. Você poderia passar despercebido, ou no máximo receber um prêmio jocoso
para combinar com isso. Mas se você é John Carpenter (escreveu e dirigiu) e tem
como protagonista a imortal, única e absolutamente maravilhosa Jamie Lee Curtis
pode se preparar para transformar US$325,000 em US$47 milhões só com bilheteria
doméstica.
Halloween – A Noite do Terror foi lançado em 1978 e acompanha a
tragédia que se abateu sobre uma família comum na noite do Halloween na pacata
e fictícia cidade de Haddonfield. Michael Myers com então seis anos de idade,
assassina à sangue frio a irmã mais velha Judith e espera os pais em frente de
casa calmamente. Naturalmente o caos se instala e o garoto vai parar em um
manicômio psiquiátrico, só voltando à cena quinze anos depois quando escapa dirigindo
(pois é, no manicômio ensinam a tirar sua carta de direção) de uma audiência
onde seu psiquiatra Sam Loomis recomenda fortemente que ele jamais volte à
sociedade, pois em alguns lugares sabe-se o quão perigoso um psicopata pode
ser.
Enquanto isso a jovem e inocente Laurie Strode que representa
tudo o que não se via comumente nos conturbados anos 1970 vê seus planos de
trabalhar no Halloween como babá irem por água abaixo. Primeiro, ela não é tão
popular no colégio e tem uma discussão com a amiga sobre um garoto, depois fica
incomodada com um estranho que começa a observá-la à distância. Deixando um
pouco suas preocupações de lado, vai trabalhar cuidando de uma criança e sua
amiga pede que ela observe também outra criança, pois ao contrário de sua amiga
Laurie, Annie está curtindo e muito os anos 70. Então o estranho que até então
só observava, começa a atacar e tenta matar a jovem Laurie. Até ser parado por Loomis
(ou não?).
Halloween – A Noite do terror, foi um filme que me conquistou justamente
pelo roteiro e pela atuação de Jamie Lee Curtis. Sabemos que nos filmes que
surgiram depois, a regra é uma pilha de corpos e uma cascata de sangue, além do
sexo abundante. Michael Myers, apesar do terror que “tocou”, matou “apenas”
três pessoas no primeiro filme. O suspense e o terror psicológico foram um
apelo muito maior (graças) que qualquer cena grotesca envolvendo xarope de
groselha (sangue falso) em abundância. Bom roteiro (apesar do furo), ótima
protagonista e uma trilha sonora tão macabra quanto O Exorcista fazem com que
ele seja um dos meus filmes de terror preferidos. Nada mais angustiante do que
ver um maluco com uma máscara branca (que foi comprada por uma mixaria em uma
mercearia e depois pintada) perseguindo alguém.
Halloween (2018)
Honestamente os últimos filmes da franquia Halloween não me
empolgaram tanto quanto o primeiro, justamente por fugir do foco de terror
psicológico e partir para a vulgaridade que assolou os filmes de slashers (serial Killers) nas produções
que acompanharam o gênero, nota-se Sexta Feira 13 e A Hora do Pesadelo. Sendo
que estes últimos apelam até para o ridículo, digo de maneira geral.
Mas 2018 guarda boas surpresas para quem é fã de terror: mais um
filme da franquia. Não um reboot como fez Rob Zombie em 2007 (ame ou odeie),
mas algo incrível. Esta nova produção, “ignora” os filmes anteriores e se
coloca como uma continuação do clássico de 1978. Dois pesquisadores resolvem entrevistar
o condenado Michael Myers para saber porque ele matou há décadas atrás três
pessoas (de onde essas pessoas tiram essas ideias?) e Jamie Lee Curtis aparece
como a sobrevivente que reza todos os dias para que Michael fuja. Ela precisa de
um fechamento para seu pesadelo de décadas.
Muitas pessoas atacam o filme não apenas pela pobreza da produção
inicial, ou pelo furo de um maluco que foge de carro, quando nem deveria saber
girar uma chave. Eu particularmente vejo o filme como uma metáfora. Há anos é
discutido o porque de mesmo depois de ser espancado, esfaqueado, baleado e
passar por tudo que se imagina, Myers simplesmente não morre! Porquê? Bom, eu
acredito que pesadelos não morrem, eles ficam ali, esperando pela próxima
oportunidade de te atingir. E em 2018 o bicho papão retorna as telas. Prepare-se
para mais um capítulo do pesadelo!

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