Imagem Disponivél em: http://www.acessocultural.com/2018/03/resenha-o-que-o-sol-faz-com-as-flores.html
A aclamada escritora de Outros Jeitos de Usar a Boca, Rupi Kaur, volta com O que o Sol Faz com as Flores, uma coletânea de poemas arrebatadores sobre amadurecimento, cura e honra às raízes.
É difícil transbordar em um texto sobre esse livro que carrega algumas das cicatrizes que a autora expõe em seus versos, usando a vida e morte de uma flor, temos a metáfora que vai te tocar de uma maneira sublime e pessoal.
A voz da autora mantém a mesma força vista no livro anterior, principalmente quando fala sobre expatriação, feminilidade e ancestralidade. O ponto alto é a relação palpável do eu lírico da autora com a figura materna, em poucas palavras somos obrigados a lidar com um misto sentimentos.
e se
não houver tempo o suficiente
para oferecer o que ela merece
será que
se eu implorar para os céus
a alma de minha mãe
pode voltar como a de minha filha
para que eu ofereça
o apoio que ela me ofereceu
minha vida inteira
Essa intensidade é sentida principalmente nessas passagens, quando a gente sente que uma parte da gente começa a fazer sentido, ou se perde e temos que lidar com um buraco incômodo que começa a crescer dentro de nós.
Algumas das verdades que formam a poesia da Rupi é dolorosa, não cicatriza e está aí faz séculos, é um grito conciso e feminista, nos coloca próximas compartilhando o mesmo céu e os mesmos dias, distantes apenas culturalmente e cobertas por um viés ideológico que as vezes é mais forte em algumas.
eu sou o resultado de uma reunião em que os ancestrais
decidiram que alguém precisava contar essas historias
O sabor amargo na boca se dissipa conforme a leitura vai evoluindo, como se realmente florescêssemos como no livro, uma ponta de esperança brota em nós e que apesar das feridas, desafios, e sonhos perdidos, em algum momento elas cicatrizam e a gente se encontra.
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