Em 11 de novembro de 1974 o Brasil acompanhava a onda de horror
que varreu todos os locais por onde a obra prima do terror O Exorcista passou.
O filme ficou marcado no imaginário popular, seja por fãs de filmes de terror
ou não. Muito se discutiu nos 45 anos posteriores ao lançamento do filme
(originalmente lançado em 1973), lendas foram espalhadas, continuações foram feitas,
mas nada se comparou ao original.
Recentemente o serviço de streaming
Netflix lançou o documentário “O Diabo e o Padre Amorth” que acompanha a
luta do padre Gabriele Amorth contra as forças do mal. Exorcista sancionado
pelo vaticano, o padre realizou em sua carreira milhares de exorcismos bem-sucedidos.
O documentário O Diabo e o Padre Amorth impressiona em todos os
números que mostra: milhares de exorcismos feitos pelo padre Gabriele, 500 mil
pessoas por ano veem um exorcista, vários médicos e um autor de livros foram consultados
para darem suas opiniões sobre o assunto. Tudo gira
em torno da mesma pergunta: “é possível que exista realmente a possessão demoníaca?”.
A modernidade nos trouxe diversos benefícios: internet e a
possibilidade de saber tudo que acontece no instante em que um fato se
desenrola. A mesma internet trouxe o avanço de pesquisas no ramo de doenças
mentais, evolução exponencial da psiquiatria e compreensão da mente e mesmo com
tudo isso, em alguns lugares a religião ainda é o principal ponto de apoio de povos
inteiros. Teria ela influência no fenômeno que conhecemos como exorcismo? Não tenho dúvidas, mas a
opinião de especialistas religiosos e seculares também me deixou absolutamente
abismada á medida em que via seus depoimentos no documentário que acompanha a
saga de duas mulheres: uma “diagnosticada” como possuída por um demônio e outra
liberta do mal, pelas mãos do padre Amorth.
A abordagem de William Friedkin, diretor
do clássico de 1973 e deste documentário é fantástica por justamente desde o
princípio tomar uma postura que permite ao espectador tirar suas próprias
conclusões. Em um mundo onde frequentemente a imprensa é atacada por “dirigir”
o pobre espectador como um carneiro para o abate em torno de uma opinião,
somente um profissional do quilate de Friedkin teria a capacidade de dirigir
uma obra assim. Do tipo: esta é minha experiência, esta é minha conclusão, tire
você a sua.
A minha é: não gosto de nada que faça parte da “área cinzenta” da
vida. A vida deveria ser “preto no branco”. Mas por experiência própria sei também
que independe da minha vontade o desenrolar desta “área cinzenta” que envolve
fenômenos paranormais. E você, qual sua opinião sobre o assunto?


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