Pedro Mairal é um romancista, poeta e escritor argentino. Ele publicou mais de uma dúzia de livros, entre eles o romance La Uruguaya, publicado no Brasil pela Editora Todavia, que ganhou o Prêmio Juan Tigre em 2017. Seu trabalho foi traduzido para o francês, alemão, inglês e holandês.
Juan Pablo Villalobos diz na contracapa: “A Uruguaia não chegou a passar uma noite na minha cabeceira: como as melhores coisas da vida, ela foi lida de uma vez só e me deixou insone.” Com a peculiaridade das coisas efêmeras que versam nos parágrafos desse livro é impossível prolongar a narração, somos tomados por sentimentos mistos que beiram a obsessão e a curiosidade, qualidade inata dos leitores, não tem nada de efêmera, ela precisa ser sanada e é assim que se faz, senta-se confortavelmente, pega a bebida de sua preferência, no meu caso foi chá, e só levanta quando a curiosidade permitir, que no meu caso foi no fim do livro.
A linguagem de um típico aviso de fim, achei até que fosse uma carta, mas eram pensamentos que cabiam rimas e filosofia, de todas as coisas que sonhamos, juramos, escrevemos e o ato de virar na esquina faz com que todos os planos não se realizem, claro que é isso que pensamos no fim de tudo, e se eu tivesse entrado no café e perguntado, e se..
A liberdade com que os relatos são escritos só poderiam vir de um narrador que se incomoda com o casamento que está degringolando, com a esposa que está diferente, com os prazos que não foram cumpridos, com o filho. O que isso tem a ver com liberdade? Tem, quando se tem tudo isso em mente e caminhamos em direção a um amor que aquece as fibras do próprio corpo, como o vislumbre de uma estrela cadente que iluminam o céu por segundos e então desaparece, é viver a liberdade em essência.
A cumplicidade latente nas frases endereçadas a esposa, o você que sabiamos ser para ela, todas as histórias e dedicações, as palavras usadas que nos convencia que a conhecia tão bem, ser porto de retorno de alguém que se perdeu e encontrou uma tempestade, coisas tão sublimes que pairam sobre a narrativa exagerada de um amor exagerado.
A cumplicidade latente nas frases endereçadas a esposa, o você que sabiamos ser para ela, todas as histórias e dedicações, as palavras usadas que nos convencia que a conhecia tão bem, ser porto de retorno de alguém que se perdeu e encontrou uma tempestade, coisas tão sublimes que pairam sobre a narrativa exagerada de um amor exagerado.
Encontrar a felicidade tem dessas coisas, sonhos insones, amores passageiros, mas principalmente a certeza que nenhuma felicidade é eterna, colecionamos momentos felizes e torcemos para que lá fim, os felizes sejam maioria.


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