Um tempo após o lançamento do livro Caixa de Pássaros (Bird Box), também presente nas resenhas de nosso site, a poderosa Netflix resolveu criar uma adaptação cinematográfica diante do enredo literário.
A princípio, o filme relata um cenário pós-apocalíptico, onde o mundo todo precisa encontrar um refúgio de algo que não podia, nem se quer, ser observado. Todos aqueles que viam as criaturas que invadiram o mundo, acabavam se suicidando – nas piores circunstâncias.
Logo no começo do filme temos a apresentação da personagem principal. Neste caso, estamos falando de Malorie, interpretada pela atriz Sandra Bullock. Como uma mulher mal resolvida e grávida de uma criança não bem planejada, Malorie mostra-nos nas primeiras cenas sua intenção de isolamento total. A mesma pouco tinha contato com a família, a não ser com sua irmã, aquela que expressava o positivismo, e ainda não havia desistido da mesma.
Em uma saída corriqueira de seu aprisionamento pessoal, Malorie e sua irmã presenciam as proporções das tragédias em massa vivenciadas no mundo todo e, com a perda de sua “única companheira”, Malorie corre para um abrigo residencial, tentando se refugiar de algo que assolava o mundo todo – sem nenhuma explicação.
Em um isolamento quadrado, algumas pessoas se prendem dentro de uma única residência. Neste ambiente, duas mulheres grávidas e algumas outras pessoas desesperadas mantinham-se trancados sem nenhuma visão aos redores da casa. Essa era a única solução para um problema sem justificativa - se esconder do suicídio.
Dirigido por Susanne Bier, o filme traz uma espécie de suspense indecifrável. Durante todas as cenas do filme a maior ansiedade que tive era descobrir quem, ou o que, eram os causadores daquelas mortes em massa.
A produção do filme foi boa. Gostei bastante da adaptação, e, com as cenas, pude compreender um pouco mais o cenário – o que havia faltado no livro. Alguns podem classificar isso de forma ruim, mas para mim as coisas passaram a fazer muito mais sentido.
Pelo menos, não terminei o filme tão revoltada com a pergunta: “Mas, o que foi que causou tudo isso?”. O filme não expressa o causador de uma forma tão transparente, mas, em uma cena, podemos vivenciar isso de uma maneira retratada.
Bird Box segue esse nome pela espécie de “aprisionamento”, "engaiolamento". Essa metáfora é a contextualização mais expressionista que eu aplaudo na obra.
Todos os que sobreviviam passavam a ser escravos da detenção, vivendo em nossos acúmulos que chamamos de lar - ou privacidade.
Descubra, no filme, o desfecho de toda essa carceragem.



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